Nem toda holding patrimonial resolve problemas sucessórios. Em muitos casos, estruturas padronizadas acabam criando novos riscos jurídicos e tributários para a família.
Nos últimos anos, principalmente a partir da reforma tributária, as holdings passaram a ser amplamente divulgadas como solução para planejamento patrimonial e sucessório, proteção e organização de bens.
A proposta costuma parecer simples: criar uma empresa, transferir para ela os imóveis da família e organizar a sucessão por meio das quotas da sociedade.
Em determinados casos, essa estrutura é, de fato, bastante útil. O problema começa quando a holding passa a ser tratada como modelo universal, aplicado indistintamente a famílias com realidades patrimoniais completamente diferentes.
O risco dos modelos padronizados de holding
Tornou-se comum a “venda” de modelos padronizados de holding, apresentados como solução automática para sucessão e proteção patrimonial, ignorando as particularidades de cada caso.
Cada família possui dinâmica própria de gestão dos bens, relações patrimoniais diferentes entre os membros, atividades econômicas distintas e riscos jurídicos específicos. Quando essas variáveis não são analisadas, a holding deixa de ser solução e passa a ser fonte de novos problemas jurídicos e societários.
O modelo de três células: sofisticação ou burocracia?
Um dos exemplos mais claros de padronização é o chamado modelo de três células, frequentemente apresentado nas redes sociais como estrutura ideal, sendo vendida como se fosse um padrão sofisticado de organização patrimonial.
Entretanto, a adoção desse modelo significa, na maioria dos casos, multiplicar burocracia, custos administrativos e riscos societários e tributários — riscos estes concretos em razão da possível tributação do ágio decorrente das operações —, mesmo sem qualquer ganho real de proteção ou organização patrimonial.
Ou seja: uma estrutura que deveria simplificar a organização patrimonial pode acabar tornando-a ainda mais complexa e onerosa.
Sinais de uma holding mal estruturada
Alguns sinais costumam indicar que uma holding foi estruturada sem o devido planejamento:
- criação de várias empresas sem função clara;
- ausência de regras de governança entre os sócios;
- confusão entre patrimônio pessoal e patrimônio da holding;
- estruturas societárias que aumentam custos e riscos tributários sem gerar benefícios reais.
Nessas situações, a holding deixa de ser instrumento de organização patrimonial e passa a ser um fator adicional de risco jurídico e societário.
Quando a holding familiar realmente funciona
A holding pode ser uma ferramenta extremamente útil quando construída com critério técnico e análise adequada, especialmente dentro de uma organização patrimonial bem estruturada. Mas estruturas padronizadas — especialmente modelos complexos como o de três células — raramente atendem às necessidades reais, tornando-se um fardo para a família.
Planejamento patrimonial exige diagnóstico. Exige compreender o patrimônio, os riscos envolvidos, os objetivos sucessórios e a dinâmica familiar antes de definir qualquer estrutura societária, a qual deve ser pensada individualmente para cada realidade.
